Grupo LGBTQIA+ vai à Justiça para questionar falta do “24” na Seleção

 Grupo LGBTQIA+ vai à Justiça para questionar falta do “24” na Seleção

Seleção Brasileira é a única equipe da Copa América que não usa o número estampado na camisa.

Após uma revelação do UOL de que a seleção brasileira é a única equipe nacional na Copa América a não ter nenhum jogador inscrito na competição com a camisa 24, o Grupo Arco Iris de Conscientização Homossexual ajuizou ação na 10ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, contra a CBF, questionado a entidade sobre a ausência do número entre os convocados por Tite.

“Esta postura que aparenta ser mesmo uma política discriminatória está presente no futebol brasileiro e impede e dificulta que jogadores possam exercer livremente os seus direitos e acabam por não assumirem as suas orientações sexuais por medo de represálias e de perdas de oportunidades na carreira”, diz trecho da ação.

O pedido foi protocolado oficialmente na última segunda-feira (28), Dia Internacional do Orgulho Gay.

Os questionamentos presentes no documento são:

  • A não inclusão do número 24 no uniforme oficial nas competições constitui uma política deliberada da interpelada?
  • Em caso negativo, qual o motivo da não inclusão do número 24 no uniforme oficial da interpelada?
  • Qual o departamento dentro da interpelada, que é responsável pela deliberação dos números no uniforme oficial da seleção?
  • Quais as pessoas e funcionários da interpelada, que integram este departamento que delibera sobre a definição de números no uniforme oficial?
  • Existe alguma orientação da FIFA ou da CONMEBOL sobre o registro de jogadores com o número 24 na camisa?

Na seleção brasileira, a numeração pula da camisa número 23 do goleiro Ederson para a 25 do volante Douglas Luiz. Nos outros nove países que participam do torneio, há um atleta inscrito com a 24 nas costas. A Conmebol não faz imposições sobre a numeração e deixa a critério das delegações.

“O Brasil contém altas taxas de violência contra a população LGBTI+, sendo este cenário alarmante com relação às violações de direitos dessa população. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, no Relatório Sobre a Situação de Direitos Humanos no Brasil de 2021 afirmou que o Brasil possui um grande desafio quanto à defesa e promoção dos direitos dessa população”, fala outro trecho do documento, jogando luz nos problemas enfrentados pela comunidade LGBT.

No final de semana, vários times do futebol brasileiro fizeram ações voltadas à conscientização na luta contra a Homofobia. A mais marcante de todas, envolveu o Vasco.

Após marcar seu gol na vitória do cruz-maltino contra o Brusque, o argentino Germán Cano foi até a marca do escanteio, tirou a bandeira que estava pintada com as cores do arco-íris e a levantou num gesto de solidariedade com à causa LGBTQIA+.

Juiz manda CBF explicar ausência do número 24 entre convocados da Seleção na Copa América

Ontem (terça-feira 29), A Justiça do Rio de Janeiro determinou que a CBF explique, em até 48 horas, os motivos de não usar o número 24 entre os convocados para a Copa América, que está sendo disputada no Brasil. O juiz Ricardo Cyfer, da 10ª vara cível da capital, estipulou multa diária de R$ 800 em caso de descumprimento.

A ação lembra que a CBF “tem papel preponderante neste debate.” Cita também que recentemente o Superior Tribunal de Justiça Desportiva passou a punir clubes com cantos homofóbicos de torcidas nos estádios.

Fontes:

– Uol Esporte

– GE.

Jeferson Almeida

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